Agir de forma educadora nas relações sociais e nas mais variadas circunstâncias é tarefa básica de todo cidadão, porém, facultativa. Mas, aos eleitos para a representatividade política é obrigação!
Considerando o depreciado conceito do meio político-representativo e suas causas, a variedade ideológica e partidária desde sua concepção à efetiva ação e principalmente, o que diz a constituição brasileira de que o poder emana do povo e para o povo é urgente afirmar que todo mandato político eletivo tem como dever básico exercer sua representação sob os critérios democráticos, transparentes e educativos.
Nenhuma reforma política será satisfatória se não passar pela apreciação criteriosa de todo o conjunto da sociedade. Pode até partir da representatividade, mas não deve ser ela mentora e juíza de sua efetivação, sobretudo onde a ação de muitos de nossos representantes nos leva ao ceticismo generalizado de que toda instituição é falida. Enquanto insatisfeitos com os interesses individualistas calcados na vaidade e no status, com a corrupção protegida pelo corporativismo numa luta permanente do poder pelo poder e sabedores de quão longínqua está uma reforma nestes moldes, devemos, de forma organizada, propor mecanismos e cobrar de toda representação política eletiva agir de forma democrática, educativa e transparente para a minimização da alienação-base da desigualdade social.
Democracia Administrativa no Mandato Parlamentar
Muitos eleitos, nem se quer ousam falar em público sobre democracia, por serem seus mandatos, empresas devidamente constituídas e hierarquizadas cujo ambiente se dá numa perfeita relação patrão-empregado e efeito pirâmide. Outros ousam falar, só falar. Mas há mandatos que por maturidade política e ideológica o fazem de forma exemplar ou, no mínimo, se esforçam para tal. Por isso, tanto é injusto generalizar como também não há nada de novo nestas linhas, o que há aqui é um manifesto público e pretenso propositor de um conjunto de ações em Comunicação Integrada que contribuam para uma melhor representação em suas realidades distintas.
Vereador, deputado ou senador não é patrão. Não no exercício do mandato. Esta necessária compreensão não se dá, em sua maioria, por concepção política, má representação fruto de um processo eleitoral onde o dinheiro se sobrepõe ao convencimento político e o debate de idéias. O combate desta prática é de fora para dentro, mas pode ser de dentro para fora caso haja reconhecimento e arrependimento deste “pecado”. Um policiamento em grupo, priorização de uma ação legislativa educadora voltada para sua verdadeira função.
Mas, afinal, que problema tem isto? No que prejudica os eleitores, já que é uma questão administrativa interna do mandato?
Por que o mandato é do povo, constituído democraticamente e suas ações precisam, no mínimo, devolver ao povo este ato democrático. Uma organização interna não democrática em seu cotidiano jamais será defensora da democracia tão difícil de ser conquistada. Um mandato parlamentar é constituído pelo eleito e pelo grupo de assessoria por ele escolhido, não receberam o voto diretamente, mas são co-representantes por que são remunerados com dinheiro público, portanto, uma extensão do representante que por sua vez representa o povo.
O exercício legislativo é, em sua essência, o exercício da democracia: votar proposições onde a maioria decide. É para isto que ele existe enquanto primeira função. Numa relação de patronato, o eleito é quem dá diretrizes de atuação como senhor da verdade absoluta e os outros apenas obedecem. Numa relação coletiva, as decisões são orientadas por todo um grupo capaz de pensar e agir, ponderar a diversidade de idéias e eleger prioridades a partir da reflexão questionada e problematizada.
Uma única cabeça pensante e norteadora das ações é muito mais sujeita ao equívoco, é passiva e vulnerável à corrupção. O policiamento é necessário, nesta questão, mesmo que se haja sob orientação partidária e de bancada. A necessidade enxergada pode levar a saídas ilícitas.
Concepção Educadora no Mandato parlamentar
Agir não é fácil, sobretudo, num processo político onde se está sob o crivo da opinião pública. Tudo o que se faz reflete na sociedade, influencia, exemplifica, forma opinião. A representação política é uma escola ambígua. É fomentadora de cultura cotidiana.
Toda ação representativa, nas mais variadas esferas, deve sugerir procedimentos corretos e não promover alienação. Um dos grandes problemas da representação legislativa é a falta desta concepção educadora somada à necessidade de amarrar o entorno para não ser substituído. A luta pela permanência no poder não permite que outros cresçam, não é interessante proporcionar educação política por que esta ação implica em fiscalização de seus atos, oferece risco a seu espaço, diminui-se a distância da “capacidade” interventora. Este é tão indigno e incapaz que prefere alienar para manter o trono que tentar agir e vencer pela promoção da liberdade, da formação e da coletividade.
Quem carrega este medo não é digno de exercer representação, precisa mesmo é ser substituído por alguém que sobrepõe o interesse coletivo ao individual e combate a promoção pessoal.
Se sua prioridade não for a promoção pessoal, atuará educando ainda que isto ofereça risco ao seu mandato. Um sacrifício libertador.
Uma ação educadora não é um processo fácil, haja vista, o desgaste do meio. Da mesma forma que se recorre ao povo em campanha eleitoral que se recorra ao mesmo para o convencimento e para a mobilização em busca de direitos numa campanha permanente, sem fugir do debate, sem mascarar-se no plenário palco da oratória formal exigente da gravata que em nada interessa ao povo. Prioriza-se os conchaves e a barganha de cargos para se manter no poder que trabalhar, de forma dura, em busca de apoio popular, de participação social.
A Transparência é o Marketing mais eficaz
Quem sabe o que faz um parlamentar e qual a importância de sua intervenção política para a sociedade, seu meio, sua vida? De que forma mandato e população interagem? Quais os veículos de comunicação utilizados por um vereador, deputado ou senador para informar e interagir? Há prioridade política e interesse popular? De quem é a culpa?
A transparência é a melhor ferramenta para ambas as partes: o povo e o mandato parlamentar. O problema é que quase tudo vira regra no exercício da representação. Os mandatos, desprovidos de projetos de atuação para o quadriênio, de bandeira política, de um plano de comunicação eficiente para com o povo, são modelos pré-estabelecidos pela armadilha do “meio” onde poucos fogem à regra.
A grande massa desconhece a real função e importância do exercício parlamentar, bem como, sua potencialidade por três motivos: ¹a maioria dos eleitos inicialmente também desconhece a competência do exercício em sua abrangência, ²não elegem a transparência como prioridade na atuação e, na maioria das vezes, ³são desprovidos de ações efetivas, ou seja, não há o que mostrar.
A forma mais comum de interação entre representante e população é baseada na cultura de “mandatos de demandas”, fruto de um equívoco popular proveniente de um processo eleitoral, cujos candidatos, induzem ao voto como se fossem exercer representação de cunho executivo, ou seja, os eleitores votam no vereador, deputado ou senador esperando que ele exerça a função de prefeito, governador ou presidente.
O desafio de agir de forma transparente está diretamente ligado aos conceitos sugeridos anteriormente: ação democrática e educadora. Um tripé fundamental para um exercício parlamentar condizente com a necessidade popular. Eleger esta prioridade gozando de criatividade no plano de ação e no uso de veículos, meio e mensagem simples e objetiva é o primeiro passo por parte dos eleitos.
Sob a ótica de mandatos mais democráticos, educadores e transparentes o povo tem a oportunidade de iniciar um novo ciclo avaliativo de seus representantes. Por sua vez, os candidatos e eleitos são julgados eleitoralmente por critérios mínimos, porém, incentivadores da percepção da importância do voto e da representação política.